Junta de Freguesia de Vinhas Junta de Freguesia de Vinhas

História

"Desvendar o nosso passado é uma tarefa que encerra um misto de ingrata com reconfortante. Ingrata porque queremos sempre ir mais além, sentindo que é sempre um processo inacabado. Reconfortante porque do que julgamos já  saber sobre uma Freguesia descobrimos afinal, que há sempre um documento a mencionar Vinhas, e um outro a referir Castro Roupal. Depois, ficamos insaciáveis, porque queremos vasculhar mais.

Deambular pela Freguesia de Vinhas e pelo seu termo é um convite à revelação de surpresas. Elas sucedem-se, num pormenor aqui, noutro acolá, por entre a sinuosidade da viagem. Nesse percurso que nos embala há algo de mágico, na sucessão de curvas que nos faz pensar numa História recheada a tanto, marcada por séculos e séculos de acumulação de acontecimentos, personagens, assistiremos à coabitação entre o factual e o lendário.

Uma curva anuncia a capela de São Roque. E apetece parar, tentar sentir as emoções dos que lhe reservaram a devoção. Talvez haja por aqui resquícios de caminhos de peregrinação... Recebe-nos, de seguida, devoções recentes, a Nossa Senhora da Aparecida, antes de retemperarmos forças na praça. Lá no alto, a igreja matriz, sentinela de um povo, guardiã de segredos bem guardados. Talvez, num assomo de regressão temporal, consigamos recuar a medievais tempos. E ouçamos o tilintar dos cavaleiros que por aqui andaram em demanda das suas posses. Talvez consigamos descortiná-los em acesas conversas com o abade. Ou ouçamos lendas antigas sobre o nome de Castro Roupal. Mouros escondidos, quem sabe, nas antigas capelas de Santa Comba, ou na pequena ermida de São Lázaro.

A Capelinha de São Sebastião anuncia-nos Vinhas. No largo, Cristo Crucificado convida-nos a uma pausa. Ao longe  è possível que vislumbremos os abades a transferirem-se de Castro Roupal.

Sentados á beira de uma fonte poderemos perceber que Vinhas e Castro Roupal têm quase 800 anos de História documentada! Oito séculos de plena existência documental, através dos quais apreendemos uma nova dimensão cronológica.

O território no qual se circunscreve a actual Freguesia de Vinhas é um exemplo cabal da ancestral passagem e presença humana no concelho de Macedo de Cavaleiros. De facto, a área onde, na actualidade, se implanta a freguesia, contém vestígios com cronologia que nos podem fazer recuar a primordial presença humana na região a outras épocas, com baliza cronológica que pode recuar há mais de 2000 anos. 

Porquê Vinhas e Castro Roupal?

  Desde os primeiros documentos do século XIII que mencionam uma povoação equivalente à actual, com a mesma localização, a mesma vem grafada como "Vineas" ou como "Uineas", a forma alternativa do latim, por ausência da letra [v]. Por um processo fonético de nasalização, na evolução da língua portuguesa, haveria de transformar-se em Vinhas, designação familiar da actualidade. A sua interpretação não oferece qualquer tipo de dificuldades, por ser um termo comum no nosso léxico actual. Desde tempos remotos que é utilizada a expressão "vineas" ou "uineas" para o terreno plantado com videiras.  As primeiras anotações com esse significado surgem na peninsula em documentos do inicio do século IX. Portanto, já nessa época era o nome comum para os locais onde existiam videiras. Assim, num periodo que terá ocorrido entre os séculos XI e XII, alguém, ou uma comunidade, individualizaram um espaço designando-o por "Vinhas", através  da interpretação que fizeram da paisagem.

Já no que respeita a Castro Roupal, não obstante as lendas que giram em torno do nome, parece clara a existência da conjugação de dois nomes sem ligação directa entre si. Ou seja, o nome "Castro" remete-nos para a pré-existência de um povoado com características muito semelhantes a tantos outros que pontuam o território concelhio. Já o nome "Roupal" surge em alguns artigos mencionado como o resultado de um "povoamento germânico".   Ora, de facto há provas inequívocas de que os povos de origem germânica, particularmente os Suevos e os Visigodos, por aqui permaneceram durante quase três séculos. No entanto, vestigios que foram deixados, para lá daqueles que vertem dos escassos escritos deixados, resumem-se a pouco mais que nada. Porém, um dos legados que deixaram foi a sua onomástica, ou seja, o seu conjunto de nomes.  No chamado período da "Reconquista", os nobres que se apelidavam como hispano-godos, adoptaram, por uma questão de prestigio, nomes utilizados, de facto, pela nobreza visigoda.

O nome Rouparius constituía-se como uma das designações constantes no vasto conjunto da onomástica visigoda. Está atestado no periodo da já denominada "Reconquista", a partir da primeira metade do século X nos cartórios da Galiza e a partir do século XI em território actualmente português. Na época que se seguiu às presúrias, as terras foram sendo repovoadas ou tomadas pelos seus posesor. Em alguns casos, não sendo propriamente fundada uma povoação, a mesma nasceria de uma prévia villae, ou seja, uma exploração agricola assemelhada a uma actual quinta. Em inúmera situações ela tomava o nome do seu fundador ou posesor, tal como se atesta na Galiza nas actuais povoações de San Pedro de Roupar ou nos inúmeros Roupeiro. Castro Roupal incluir-se-á nesse fenomeno altomedieval, a partir de um possuidor de nome Raupario."

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